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TEMAS DO ACERVO
Artistas Imigrantes


Tomoo Handa

s/ título, 1993


“Não se trata de lamentarmos o que foi perdido, sendo que nos sentimos melhor através da constatação de que o que está atualmente ao nosso alcance constitui o alicerce de nossas vidas. As plantas necessitam de solo adequado. O que não se adapta de modo algum ao solo brasileiro há de morrer ressequido, pois que nele se desenvolve apenas o que a ele se adapta.”

(TOMOO HANDA, artista japonês radicado no Brasil)


Ferenc Kiss

Outono, 1964



Na segunda metade do século XIX e início do XX o mundo presenciou o maior contingente de imigração da história. A Europa passava por importantes mudanças econômicas e políticas que afetaram diretamente a população, principalmente na Itália. Havia muitas pessoas sem emprego e com péssimas condições de vida e a solução encontrada foi imigrar para a América em busca de uma vida melhor; vários anúncios convidavam os europeus a começarem uma nova vida do outro lado do Atlântico.

Dentre a população imigrante que chegou ao Brasil havia milhares de camponeses, comerciantes, trabalhadores da indústria e alguns empresários. Pessoas de todas as idades, classes sociais e com diferentes graus de escolaridade.

Galileo Emendabili

São Francisco - Imposição de Mãos, 1941


Outros movimentos que fizeram aumentar o contingente de imigrantes foram as duas grandes guerras que devastaram a Europa, e posteriormente o comunismo. A Hungria, por exemplo, foi diretamente afetada tanto pela Primeira Guerra, quando viu seu território diminuído e a população sendo obrigada a adaptar-se a uma nova cultura e após a Segunda Guerra, com a implantação do regime comunista. Nesta fase muitas pessoas contrárias ao novo regime saíram fugidas do país.

Maria Bonomi

Preciso dormir, s.d.


A adaptação dos imigrantes não foi fácil, sobretudo pelas diferenças de idioma, cultura, religião, modo de vida e alimentação. Os japoneses, por exemplo, possuíam um estilo de vida muito distante daquele encontrado no Brasil e, ao chegarem, passaram por um grande choque cultural; foi necessário modificar seu modo de comer, vestir, morar, além de aprender o português.

Entre os imigrantes havia vários artistas que trabalhavam nas mais variadas atividades, desde as lavouras de café, como Manabu Mabe - japonês que chegou ao Brasil ainda criança e aproveitava os dias de chuva para pintar – até pintores de parede, açougueiros, ourives, professores e operários, como Alfredo Volpi, imigrante Italiano que trabalhou como pintor decorador, marceneiro, entalhador e encadernador. Justamente por suas origens simples, estes encontraram dificuldades em adentrarem os salões de arte, pois havia certo preconceito por parte da elite.

Tomie Ohtake

sem título,1973



Muitos artistas imigrantes eram autodidatas ou estudaram no Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo; alguns lecionaram pintura e desenho no mesmo local. Todos praticavam outra função como forma de sobrevivência e pintavam apenas nas horas vagas. Não tendo condições para ter um ateliê próprio ou pagar modelos vivos, a solução foi fazer um ateliê coletivo. Nesses ateliês formaram-se alguns grupos artísticos que ficaram bastante famosos, produzindo exposições e salões de arte. Podemos destacar o Grupo Santa Helena, formado principalmente por imigrantes Italianos ou descendentes, o Grupo Seibi, formado exclusivamente por imigrantes japoneses, o Grupo dos 15 e o Grupo Guanabara. Entre eles havia constante comunicação e trocas de experiências, e com o tempo, os ateliês passaram a ser ponto de encontro de muitos outros artistas.

Mágori Varga Béla

Via Sacra XIII – [Jesus é retirado da cruz], s.d.


Alguns artistas importantes do modernismo brasileiro participaram desses grupos: Alfredo Volpi, Francisco Rebolo, Aldo Bonadei, Mario Zanini e Clovis Graciano, do Grupo Santa Helena; e Tomoo Handa, Yoshiya Takaoka, Flávio-Shiró, Manabu Mabe, Tadashi Kaminagai, Takeshi Suzuki, Tikashi Fukushima, e Tomie Ohtake do Grupo Seibi.

Autor: Bálint Feherkuti

sem título, s.d.


No acervo do Museu da Abadia São Geraldo há alguns trabalhos de artistas imigrantes, tanto daqueles que integraram os grupos citados como de outros artistas independentes, principalmente artistas húngaros. Deles, há trabalhos de Bálint Fehérkuti e de Béla Mágori Varga, por exemplo, incluindo vitrais, telas e mobiliários. De Karoly Pichler, que participou da XIII Bienal de São Paulo, temos esculturas em aço polido, expostas nos jardins do Colégio. Destacam-se ainda Ákos Hamza, Harry Elsas e Ferenc Kiss. Dentre os de origem italiana, salientamos Maria Bonomi e Galileo Emendabili e os japoneses Tomie Ohtake e Tomoo Handa.

Giselle Rodrigues da Silva

Auxiliar Técnica de Museu

Historiadora


Károly Pichler

s/ título; s.d.

Referências bibliográficas





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